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Açores

GRACIOSA E FLORES | TESOUROS ESCONDIDOS DOS AÇORES

Os encantos das ilhas Açorianas são já conhecidos de todos. Seria impossível que estes pedaços de terra perdidos no meio do Atlântico passassem despercebidos, tal a sua riqueza natural, cultural e patrimonial.

Resolvemos trazer-lhe uma parte destas jóias do Atlântico. As ilhas da Graciosa e a Ilha das Flores oferecem-nos alguns tesouros ainda desconhecidos de muitos.

GRACIOSA – A ILHA BRANCA
É a segunda ilha mais pequena e está integrada no Grupo Central do arquipélago dos Açores. Foi classificada pela Unesco como Reserva Mundial da Biosfera e é conhecida como “A Ilha Branca” devido às suas características geomorfológicas e aos seus elementos toponímicos: as Pedras Brancas, Serra Branca e Barro Branco. Demoramos apenas 1 dia a percorrer este território. No entanto, a nossa proposta é que fique um pouco mais e que aproveite o melhor desta ilha tão tranquila e pacata quanto bucólica.

Por não ser tão montanhosa como as restantes ilhas açorianas, o clima da Graciosa é bastante aberto. Mas já que falamos em altitude, vamos começar por subir ao seu ponto mais alto – o Pico Timão. Este é um dos maiores cones de escórias da Ilha Graciosa e tem a particularidade de ter tido a sua última erupção vulcânica há aproximadamente 2.000 anos.

Outra atracção é a Caldeira da Graciosa. Esta estrutura geológica possui diversos tipos de formação vulcânica, entre elas a Furna do Enxofre – uma cavidade lávica de natureza basáltica. É uma verdadeira relíquia ambiental, única no panorama internacional e uma das mais notáveis de todo o arquipélago. A porta de entrada para a Furna do Enxofre é o Centro de Visitantes da Furna do Enxofre (CVFE). Para além da área de exposição, o espaço dá acesso a uma imponente caverna de 194 m de comprimento e 50 m de altura na sua parte central, que revela um deslumbrante teto em abóbada perfeita, a maior abóbada vulcânica da Europa.

A Ilha Graciosa é constituída por quatro freguesias: Vila de Santa Cruz, Vila da Praia, Guadalupe e Luz. Vamos começar pela pitoresca Vila de Santa Cruz, onde se encontram a Igreja Matriz de Santa Cruz data do século XVI e a Igreja de Santo Cristo da Misericórdia do século XVII. Nesta última há registos de um pregão dado pelo padre António Vieira. Pode também visitar o Museu da Graciosa para ficar a conhecer melhor a história da ilha.

Outra atracção da Vila de Santa Cruz é a Piscina Natural do Boqueirão, uma piscina semi-natural de água salgada rodeada pelo mar.

Surpreenda-se também com a Praça de Touros feita na cratera de um vulcão! Esta construção “natural” recebe, todos os anos as touradas típicas que acontecem nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Para revigorar corpo e alma não deixe mesmo de passar um dia nas Termas sulfurosas do Carapacho, alimentadas por uma fonte vulcânica e especialmente indicadas na prevenção e tratamento de patologias do foro reumatológico. A fama das suas águas, com temperatura entre os 35ºC e os 40ºC, já vem desde o ano 1750. Os antigos diziam que eram milagrosas… o melhor mesmo é tirar a prova e experimentar!

Dos ilhéus da Graciosa destacamos o Ilhéu da Baleia – autêntico símbolo da Ilha Graciosa e de todo um arquipélago transformado em santuário de cetáceos. Chama-se assim porque esta rocha saída do mar tem mesmo a forma de uma baleia.

DELÍCIAS DA GRACIOSA
Para abrir o apetite deixamos-lhe algumas referências aos ex-líbris gastronómicos da Graciosa: Tem de provar as deliciosas Queijadas da Graciosa, as linguiças, as lapas e o Vinho Verdelho.

FLORES – O JARDIM DOS AÇORES
Localizada no Grupo Ocidental do arquipélago, juntamente com o Corvo, a Ilha das Flores é talvez das mais encantadoras. Deixe-se surpreender pelas suas fantásticas cascatas, as suas sete lagoas e pela absoluta sensação de paz que nos invade. Os meses de Verão até Outubro serão os melhores para visitar esta ilha de temperaturas amenas, mas com bastante humidade. Leve consigo roupa e calçado cómodos para boas caminhadas pois este lugar convida a este tipo de actividade. É que a Ilha das Flores oferece diversos trilhos para percorrer e melhor saborear as suas paisagens. Mas caminhadas à parte, o melhor mesmo para se movimentar na ilha é alugar um carro. Se não conduzir tem sempre o serviço de táxi disponível na ilha.

Santa Cruz das Flores é a maior povoação da ilha. Para começar visite o Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão (CIAB). É um bom ponto de partida para quem quer conhecer a ilha, nomeadamente os seus ambientes marinhos. Ainda na capital, não deixe de visitar (e experimentar) as piscinas naturais e a sua bonita igreja.

Santa Cruz das Flores é uma boa opção para a sua estadia na ilha, mas há outras. O nosso destaque vai para a Aldeia da Cuada, uma aldeia típica localizada nas fajãs da parte ocidental da ilha. Foi abandonada nos anos 60 pelos seus habitantes e hoje, já recuperada, é uma unidade turística. Se é um apaixonado pela Natureza e se está a precisar de descansar “longe do mundo”, este é o local ideal.

Mas há duas pequenas localidades absolutamente singulares e que tem mesmo de conhecer. É a Fajãzinha e a Fajã Grande. Uma ida até lá proporciona-nos mais uma imagem que recordaremos para sempre – acantilados verdes de onde saltam bonitas cascatas.

Parta agora à descoberta das sete lagoas, cujos nomes estão relacionados com a sua profundidade e com as características das suas águas: lagoa rasa, lagoa funda, lagoa seca, lagoa branca, lagoa comprida, lagoa lomba e lagoa negra. Destacamos a Lagoa Comprida e a Lagoa Escura. Estão lado a lado e são as mais acessíveis de todas. Vá até ao topo dos seus miradouros e demore-se, naquele que é um dos lugares mais bonitos da ilha.

Falemos agora da imagem de marca das Flores: a Rocha dos Bordões, constituída por um conjunto de grandes colunas verticais de basalto, esta verdadeira obra da Natureza é absolutamente surpreendente.

A Natureza é mesmo esplendorosa e exemplo disso é a Alagoinha ou Poço da Ribeira do Ferreiro, outro dos tesouros das Flores. A chegada a esta pequena-grande maravilha faz-se a pé, num trajecto fácil, mas que ainda demora uns bons 15 minutos. Mas vai ver que compensa. É uma lagoa rodeada de cascatas com água sempre a correr desde montanhas verdejantes.

Para fechar as nossas sugestões que compõem a atmosfera singular que caracteriza a Ilha das Flores, suba até ao ponto mais alto: o Morro Alto. Está a 914 metros de altitude. Vá até lá se o céu estiver limpo e sem nuvens. Só assim poderá apreciar a vista lá de cima, que é de tirar a respiração.

ILHA DO CORVO
Bem perto das Flores encontramos a Ilha do Corvo, a mais pequena do Arquipélago, com pouco mais de 300 habitantes. Mas não deixe que isso o demova de a visitar. Desde a Ilha das Flores, atravesse de barco (há barcos turísticos e mesmo barcos de transporte públicos que oferecem este serviço e a viagem demora cerca de 40 minutos). Já no Corvo é só deixar-se surpreender pelas soberbas paisagens e pela hospitalidade das pessoas.

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